Quem vive de passado é museu?

Felizmente o povo está mais interessado por política, ainda mais num dia decisivo como hoje. A votação para o impeachment da presidente está sendo acompanhada por milhares de brasileiros. Infelizmente, nem todos gostavam de estudar história na época do colégio.

É óbvio que a política desse país precisa de uma reformulação urgente, mas não quer dizer que devemos entregar à mafia instaurada em Brasília (se bem que Brasília e a máfia é pleonasmo). A presidente não é inocente, muito menos ingênua. Fez acordos para se manter no governo e não teve êxito com os mandatos. Mas também, não deveria ser tirada do cargo, já que foi eleita democraticamente. Não votei nela, nem mesmo em Aécio, eu quis mudanças e não passei do primeiro turno com a minha escolha. Entretanto, os que a acusam, que almejam sua posição, são piores. Políticos investigados na lava jato, com processos, enviando dinheiro para o exterior de maneira ilícita…

Daqui pra frente, a incerteza e insegurança de um futuro melhor ainda continuará, e por um bom tempo. O Brasil não vai se levantar de uma hora para outra. Os políticos que estão aí, se guiam por interesses, sustentados por empresários mais interesseiros. O povo, vai voltar para escanteio se não reagir.

O passado está aí para ser lembrado, basta estudar um pouco de nossa história, nem tão antiga, para ver de onde conseguimos sair e para onde estamos voltando.

Enquanto você está aí comemorando e se divertindo com o circo que foi armado para a cassação da presidente, lá em Brasília, estão comemorando a estratégia de conquista do poder e manipulação de massas, como conseguiram fazer até agora, rindo da cara dos eleitores brasileiros. E muitos deles acreditam nessas mentiras e aceitam afavelmente.

Não é pela Dilma, o cargo da presidência, nem mesmo pelo partido do PT. É pela democracia e o seu voto, que não escolheu Michel Temer e Eduardo Cunha como representantes dessa nação.

Anúncios

Sobre políticos, partidos e corrupção.

Na minha adolescência, eu acreditava que as coisas seriam melhores se as pessoas falassem mais de política, ao invés de futebol ou o capítulo da novela da noite passada… Eu não sabia que as coisas poderiam se complicar tanto assim.

Porém, nos últimos anos, com as ideias de “vem pra rua”, “o gigante acordou”, depois dos sucessivos escândalos no governo e na Petrobrás, a “lavação de roupa suja entre governo e oposição”, parece ter feito as pessoas se interessarem mais por política. Ou não…

Essa minha incerteza, é pelo motivo de quê não há um embasamento nas críticas e nos ideias políticos de uma parte da população, quando se observa mais profundamente algumas conversas. Sem querer generalizar, apenas baseando-me no ambiente em que eu vivo. E, ainda que observasse um ambiente mais amplo, como o nosso país, por exemplo. Nós temos uma presidenta que está caminhando na linha tênue de um impeachment, um presidente da Câmara, que nega suas contas secretas na Suíça e corrupção, um governador do estado (SP), irresponsável com o problema hídrico do estado e que tornou sigilosos documentos sobre as obras do metrô. Nada disso parece fazer com que uma parcela maior da sociedade se interesse realmente pelo que acontece no dia a dia da política.

Porém, se eu me ater apenas na cidade em que vivo. Indaiatuba, cidade no interior do estado de São Paulo. Na segunda-feira, da semana passada (05 de Outubro), muitos brasileiros que ainda não a conheciam, ouviram falar dela pela notícia da apreensão de R$ 1,5 milhão feita pelo MP, na casa do prefeito, fora os R$400.000,00, no gabinete dele. Ele não foi o primeiro e nem será o último a se envolver nesse tipo de escândalo. E até agora, não se vê nenhuma punição que possa ser aplicada a ele. Um dos problemas nisso tudo é que nem o partido ao qual ele pertence (PMDB), se prontificou, ou irá se prontificar em puní-lo. Nem mesmo adverti-lo pelo envolvimento no escândalo. Como nem a população se chocou e nem saiu às ruas para cobrar alguma explicação sobre o ocorrido. Muito pelo contrário, houve muitos que defenderam o prefeito com a tão famosa conversa do rouba mas faz.

Eu tento entender o quê falta. Se mesmo com tantas irregularidades, negligencias, com as provas, o acesso ao conhecimento, as pessoas ainda se mantém relapsas aos assuntos que realmente importam e ao mesmo tempo conseguem reclamar e culpar o outro pela atual situação do país e do mundo.

Vivemos num país livre, mas poucos políticos e nenhum partido assume a proteção do voto não obrigatório. Temos políticos corruptos que praticamente se aposentam em seus cargos sem que sejam ao menos condenados por seus crimes fiscais. Alguns policiais são tão corruptos e perigosos quanto os bandidos que eles deveriam colocar na cadeia, sem contar o sistema carcerário que nem de longe é um exemplo de restauração social. Simplificando a questão, até que ponto é preciso que a sociedade sofra e seja humilhada até que comece a reagir?

Partindo do pressuposto de quê quem muda, muda também o ambiente em que vive e assim, ajuda a transformar a sociedade, aparentemente, a verdadeira mudança está longe de acontecer…

Vai ver – mesmo que eu não acredite nisso – é como um comentário que ouvi esses dias: “as pessoas estão mais dispostas a aceitar o fim do mundo e viver em um apocalipse zumbi, do quê em ter iniciativa e transformar o mundo num lugar melhor hoje”.

Ou talvez seja diferente, e as discussões começam bagunçadas e a medida que vão evoluindo junto com a educação das pessoas, as ideias e ideais também evoluam. E assim, os debates não sejam com informações falsas, com ofensas e violência, na base de quem grita mais é que tem razão. Mas sim, sabendo ouvir e respeitando as diferentes opiniões.

Dizia Blake: “oposição é amizade verdadeira”. Quem sabe assim, as coisas comecem a melhorar quando discutindo política, cultivar-mos mais amizades ao invés de desafetos.