Midnight Diner: Tokyo Stories é a série que você precisa ver

midnight dinner

Fonte: Netflix

Ou como no original, Shinya Shokudo. Um pequeno restaurante, perdido numa viela, entre as movimentadas ruas do distrito de Shinjuku (Tokyo), que funciona da meia noite até as 07 h da manhã, e que prepara o prato que o visitante desejar, desde que o estabelecimento possua os ingredientes. Esse é o enredo dessa série modesta, mas cativante, que a Netflix apresenta ao mercado japonês.
Baseado em um mangá japonês de Yaro Abe, que deu origem a uma série japonesa de 03 temporadas e três filmes. Foi adaptado para a TV da Coréia, e também para a da China. Mais tarde teve seus direitos comprados e foi adaptado ao formato “Netflix”.
Com um início animador assim, é claro que a história vai além. Cada prato servido nesse restaurante, pelo seu Master (Kaoru Kobayashi) – chef/dono – do local, carrega uma leve história sobre os relacionamentos humanos… mas, não se trata de uma programa de culinária, então, mesmo com pratos muito bem preparados e com uma fotografia que te dá vontade de comer o que é servido, não subestime o programa. Os episódios focam nas emoções e nos sentimentos das personagens, que são construídos com esteriótipos comuns mas diversos. Há acompanhantes, motoristas, garotas/garotos tímidos, apostadores, trabalhadores, gigolôs… Cada cliente que entra no restaurante, carrega consigo uma dúvida, uma paixão não correspondida, traumas, desejo de redenção. E, vemos no decorrer do episódio, o desenrolar da trama e o preparo dos pratos. O master, personagem central da trama, mesmo uma figura sempre presente, mantém-se distante, observando e analisando cada situação, até o momento de aconselhar ou apresentar um desfecho prático quando necessário.
Abaixo tem o trailer da Netflix:

Cada episódio tem aproximadamente 20 minutos, e mesmo parecendo pouco, as tramas são tão bem construídas, que antes que se dê conta, você já mergulhou nas breves histórias e se identificou com algum esteriótipo de personagem presente no restaurante. Isso, sem contar a trilha sonora, que mesmo num idioma tão diferente do nosso consegue chamar a atenção por ter uma melodia tão cativante e harmoniosa com os episódios.
Destaque para a canção de abertura: Omoide (Memórias) de Tsunekichi Suzuki.
Que pelo ritmo e suavidade, introduz a audiência ao ambiente da trama.

Os episódios são curtos, o restaurante de tão aconchegante, parece uma sala de psicólogo para algumas personagens. Para outras, só um local para descontração, fofocar, ou até  flertar. E o barato é que você percebe isso. No final dos episódios há sempre uma lição ou um conselho a se passar. E por tudo isso, eu acredito que você deveria se sentar relaxadamente e assistir alguns episódios, ou a temporada toda (que eu espero que tenha continuação). Por que além dos pratos, esses contos sobre o ser humano vão te conquistar.

 

Marseille

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Reprodução Internet

Ao contrário de alguns brasileiros, eu aproveitei o feriado de carnaval para finalizar uma das séries que eu estava acompanhando. Marseille, série original da Netflix.
Se você gosta de intrigas, política, máfia, uma boa alternativa é essa produção francesa.
A trama principal é sobre o prefeito de Marseille, Robert Taro (Gérard Depardieu), que está prestes a encerrar o seu mandato e se aposentar da política. Seu pupilo, Lucas Barres (Benoît Magimel), tem intenções escusas e une forças com um grupo de influentes políticos e mafiosos, para assumir o controle da prefeitura e do porto de Marseille. Quando Taro descobre, decide intervir lançando sua candidatura à reeleição da cidade. A partir daí, inicia-se nos bastidores das eleições um jogo sujo de intrigas, poder, sexo (sem exagero), assassinato… e por aí vai – na verdade é clichê, mas é o padrão para esse tipo de trama.

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Reprodução Internet

O enredo não é original como dito, mas compensa. Começando pela trilha sonora, por apresentar atores franceses e deixar um pouco de lado os norte americanos. Pela abordagem dos dois lados da cidade de Marseille, tanto os pontos turísticos quanto as partes mais pobres.
Algo mais interessante do que apenas as intrigas de gabinetes.
A trama em si, nos primeiros episódios tem um desenvolvimento legal, assim como a história das personagens, mas ao chegar na metade da primeira temporada os episódios parecem mais corridos, os acontecimentos e personagens não são bem aproveitados como eu acredito que deveriam. A ideia que eu tenho é que a trama poderia fluir mais se explorassem a história e a relação de alguns personagens mais a fundo.
O episódio final da temporada foi bem interessante e a serie foi renovada para a segunda temporada. Espero que mantenha o padrão e possa se desenvolver mais, apesar do desfecho final.
No IMDb marca nota 6.9 de 10, no Rotten Tomatoes atingiu 40% de críticas e 70% de aprovação do público, com 08 episódios de 01 temporada. As críticas em geral não foram boas, a série não é inovadora, mas entrega o que se propõe, tem bons atores e é um investimento da Netflix no mercado europeu, que talvez possa surpreender na próxima temporada.
Caso você tenha ficado ao menos curioso, curta aí o tema de abertura com a banda francesa Orange Blossom, que eu acabei conhecendo com essa série e curti muito.

 

E você, conhecia Marseille?
Não curtiu tanto assim ou gostou?
Deixe aí o seu comentário.

“O mal triunfa sempre… Que os bons não fazem nada.”

Essa máxima de Edmund Burke, veio-me a cabeça, porque recentemente, a casa onde morávamos foi assaltada.
Ao receber a ligação de minha mãe desesperada, dizendo que havia chegado em casa, encontrado a porta da cozinha arrombada, e além de toda a bagunça que fizeram, levaram vários de nossos pertences. A frustração e o sentimento de impotência diante do ocorrido deixa um vazio dentro de você, que eu só pude experimentar naquele momento.

Nos damos conta de quê o pouco conforto e segurança que temos é pura ilusão.

Felizmente, não houve nada grave, já que não havia ninguém na casa quando a invadiram, foram só os bens materiais nosso maior prejuízo.

Minha indignação, não é apenas com a situação do roubo em si, já tive tempo o suficiente para pensar sobre o assunto. Mas sim, com o quanto as pessoas são coniventes ou simplesmente ignoram alguns tipos de injustiça, ou corrupção que de alguma forma é, ou torna-se uma forma de crime.

Outro dia, por exemplo, eu caminhava pelo centro da cidade onde moro, e vi um senhor, que na pressa em estacionar, sem encontrar vaga fora da zona azul, usou uma vaga exclusiva para deficientes.

Infelizmente, nem só descaso. É falta de interesse, falta de empatia. Não nos preocupamos com o próximo quando não sentimos a mesma dor que ele sente. É tudo normal. Só dizemos: ‘É a vida!’

O quê dizer de pais que não tiveram preparo para educar seus filhos, e que com isso, incluem numa sociedade seletiva, indivíduos desprovidos de preparo, formação e oportunidades. Uma vez que nossos governantes não são capazes de incentivar o desenvolvimento humano e possibilitar a inclusão social dos jovens que mais necessitam de suporte para seu desenvolvimento intelectual e social.

As pessoas aprendem, não com conselhos, mas com exemplos. Não é culpar o bandido, apenas. O problema é  mais profundo. Não existe um mal absoluto. Apesar de algumas pessoas terem mais tendência aos vícios, ao crime e à corrupção, talvez algumas dessas mesmas, tivessem seguido um caminho diferente se tivessem bons exemplos, melhores condições e oportunidades. Talvez, eu esteja errado e o ser humano, seja corrupto por natureza. Aristóteles já se questionava sobre esses assuntos.

Mas o quê nós podemos esperar de uma sociedade que empodera corruptos, usa a mídia para alienar a população, e controla o povo ao lado de ‘intermediários divinos’ em nome de Deus?

Vivemos em uma época de intensas transformações, ideias antigas e novas se confrontam em todos setores. As revoluções da tecnologia e da informação estão a todo vapor e não sabemos lidar com isso. Quiçá, incluir os desfavorecidos em nosso meio.

Há tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Tanta informação, que é impossível prestarmos atenção em tudo. E então, deixamos passar algumas coisas. E é aí que erramos. Porque deixamos passar o mais importante. O próximo, o ser humano.

Deixamos de olhar para os lados há muito tempo. Paramos de prestar atenção nas únicas coisas que realmente deveriam importar.

Quem vive de passado é museu?

Felizmente o povo está mais interessado por política, ainda mais num dia decisivo como hoje. A votação para o impeachment da presidente está sendo acompanhada por milhares de brasileiros. Infelizmente, nem todos gostavam de estudar história na época do colégio.

É óbvio que a política desse país precisa de uma reformulação urgente, mas não quer dizer que devemos entregar à mafia instaurada em Brasília (se bem que Brasília e a máfia é pleonasmo). A presidente não é inocente, muito menos ingênua. Fez acordos para se manter no governo e não teve êxito com os mandatos. Mas também, não deveria ser tirada do cargo, já que foi eleita democraticamente. Não votei nela, nem mesmo em Aécio, eu quis mudanças e não passei do primeiro turno com a minha escolha. Entretanto, os que a acusam, que almejam sua posição, são piores. Políticos investigados na lava jato, com processos, enviando dinheiro para o exterior de maneira ilícita…

Daqui pra frente, a incerteza e insegurança de um futuro melhor ainda continuará, e por um bom tempo. O Brasil não vai se levantar de uma hora para outra. Os políticos que estão aí, se guiam por interesses, sustentados por empresários mais interesseiros. O povo, vai voltar para escanteio se não reagir.

O passado está aí para ser lembrado, basta estudar um pouco de nossa história, nem tão antiga, para ver de onde conseguimos sair e para onde estamos voltando.

Enquanto você está aí comemorando e se divertindo com o circo que foi armado para a cassação da presidente, lá em Brasília, estão comemorando a estratégia de conquista do poder e manipulação de massas, como conseguiram fazer até agora, rindo da cara dos eleitores brasileiros. E muitos deles acreditam nessas mentiras e aceitam afavelmente.

Não é pela Dilma, o cargo da presidência, nem mesmo pelo partido do PT. É pela democracia e o seu voto, que não escolheu Michel Temer e Eduardo Cunha como representantes dessa nação.

Coisas que eu aprendi sobre o chocolate

Uma matéria sobre chocolates me chamou a atenção esses dias. Tanto que acabei retuitando a postagem. Infelizmente, não era sobre nova marca ou sabor, nem mesmo novos ovos de páscoa e seus valores exorbitantes.

A matéria fala sobre o tráfico e o trabalho escravo infantil nas plantações de cacau na Costa do Marfim (um dos maiores exportadores de cacau do mundo). Se você for um pouquinho só curioso(a), buscando no google por Miki Mistrati, ‘Behind the dark side of chocolate’. Ou as 9 marcas de chocolate envolvidas com fornecedores do fruto do cacaueiro que usam trabalho infantil escravo, vai encontrar matérias, videos e as informações das quais eu estou falando, com mais detalhes e dados.

A Nestlé, grande envolvida nas acusações de compra de cacau de provisores que usam mão de obra escrava, aceitou desde 2012, ser monitorada por organizações sem fins lucrativos para erradicar esse tipo de trabalho, e anunciou que todos os produtos KitKat serão produzidos com cacau de origem sustentável até 2017.

Então, guiado pela mesma curiosidade, resolvi procurar pelas opções que teríamos caso resolvêssemos a partir de agora comprar chocolates de marcas que tem fornecedores seguros, e se isso realmente é possível.

Bom, então desde o começo. Para ser considerado chocolate, a mistura mágica precisa ter 25% de matéria prima proveniente do cacau, como pó, licor e manteiga. Infelizmente nem todas as marcas seguem essa regra. Inclusive, alguns produtos que são vendidos como tendo 50%, 60% ou 70% de puro cacau, não chegam a ter metade do teor prometido na embalagem.
O resultado disso é que, além de pagar caro, você está comendo compound.

Comendo o quê?

Um “compound” (composto), é a mistura de cacau, gordura vegetal e açúcar ou outros ingredientes que barateiem a produção de alimentos que se baseiem no chocolate. Essa mistura geralmente é usada na confeitaria, nos sorvetes, em doces e bombons. E, muitas pessoas nem percebem a diferença entre esse composto e o verdadeiro chocolate, até que se prove do verdadeiro – é uma prática comum direcionada a produtos mais baratos, utilizada no mundo todo.

Além disso, não temos um órgão regulador para fiscalizar a “pureza” dos chocolates, procedência ou que assegure a idoneidade da empresa.

Há outras alternativas?

Sim! Sempre há.

Hoje, com a livre concorrência, temos mais marcas nacionais e estrangeiras, com valores diversificados, misturas e sabores para todos os gostos e bolsos. Se por um lado, não temos a certeza de procedência ou qualidade, por outro temos as opções de tipos, marcas e valores. E claro, a escolha de comprar ou não.

Bem, temos acesso ao conhecimento, direitos e deveres civis como nunca se teve antes na história. Aparentemente, estamos nos conscientizando mais sobre assuntos que eram deixados de lado. Com isso em mente, podemos cobrar mais transparência das autoridades e corporações e exigir o respeito que todos nós merecemos, como clientes e principalmente cidadãos.

Esse texto não fala sobre o boicote ou proibição de venda dessa ou daquela marca/produto. Fala sobre os cuidados que deveriam ser tomados na compra não só do chocolate, mas de qualquer outro produto de origem duvidosa. É sobre conscientização. Até porque, o trabalho escravo é uma realidade aqui e ao redor do mundo. E muitos produtos que adquirimos no dia a dia são provenientes dele.

Não é apenas sobre o cacau (chocolate), no fim das contas. É a forma como ignoramos a realidade e pensamos unicamente em nós mesmos e nossos desejos.

Se todos tivermos em mente a coletividade e  fizermos nossa parte, essa exploração terá um fim mais cedo do quê podemos imaginar.

* Agradecimento pela revisão : Tatiane J. Aniceto.

O último trem.

Ontem a noite estava fria. Chovia. Não muito, mas o suficiente para molhar quem estivesse despreparado com aquela chuva repentina.

Era quase meia-noite, eu já estava atrasado. Aquele era o último trem que sairia para Moscou. Quando eu cheguei na estação, ela já estava lá. Mesmo com a má iluminação, e com aquele trench-coat a beleza dela se sobressaía à meia luz naquela estação.

Nem me lembro qual foi a desculpa que lhe dei pelo atraso, mas a verdade é que eu esperava que ela não estivesse lá, por isso demorei para chegar. Tatyanne, a única agente com quem me envolvi era russa. Nem sei se esse era realmente o nome dela. Provavelmente, não. Parou de chover.
Aquela pele alva como a neve, os olhos tão azuis quanto o céu de Saint Petersburgo no verão. E apesar de perigosa e ardilosa, seu toque era o mais quente e amoroso que eu já senti – digno da Mãe Rússia. Aparecia e desaparecia nos becos daquelas cidades como só ela conseguia.
Porém, nem assim podíamos nos ajudar. Eu precisava deixar o país o mais rápido possível, sem que os camaradas dela me capturassem e infelizmente ela não viria comigo.

Eu só queria que aquela maldita guerra acabasse logo.
“- E quem disse que a vida seria fácil”, eu digo a ela.
Tentei me manter frio durante nossos últimos minutos juntos, mas ela se saiu melhor, como sempre.
Infelizmente não tínhamos muito tempo a sós. Estávamos sendo observados por dois agentes, que eu só consegui perceber naquele momento. Acho que ela também, pela reação que teve.
Tentei persuadi-lá a vir comigo no trem que se aproximava, mas ela tinha argumentos e convicções que não me favoreciam. Na verdade, nós dois sabíamos que não tinha como aquele relacionamento dar certo naquela época – lados opostos e mundos diferentes – dizíamos.
Nos abraçamos e nos beijamos. O trem parou. Os agentes saíram das sombras. Ela falou em meu ouvido com aquela voz fria “- Я люблю тебя “ pela primeira e última vez.

Iniciaram um cerco para nos pegar. Tatyanne me olhou com os olhos marejados de lágrimas. Começou a chover. Ela me deu um sorriso que outrora me trazia tantas felicidades e desapareceu nas sombras, na direção de um dos agentes. Eu me escondi até que o maquinista iniciasse a partida com aquela locomotiva pesada. O barulho ensurdecedor permitiu que eu usasse a minha arma para dar fim no outro agente, sem que os poucos civis que restavam na estação notassem. Nos momentos que se seguiram, enquanto eu corria e embarcava no último vagão tentando não cair naquela escuridão, desejei intensamente que a minha doce espiã estivesse logo atrás de mim, para seguirmos juntos e desaparecermos pela Europa… Doce ilusão!
Depois do fim da grande guerra, voltei duas vezes à Rússia.

Em nenhuma delas encontrei a minha Mata Hari. Ás vezes, eu me pego imaginando sobre o que teria acontecido com ela, naquela noite de Julho de 1916. Eu também sonho com o que poderíamos ter sido sem aquela guerra. Mas sem ela, eu também não teria conhecido a minha amada comunista.
Na semana passada, eu esperava um trem em Praga. Já era tarde e eu havia terminado de executar um trabalho. Chovia como antes e aquele era o último trem da noite.

Enquanto eu observava ele se aproximando, sozinho na plataforma, pensei ter visto Tatyanne me observando num ponto escuro da outra plataforma. Eu cheguei a ver seus belos olhos azuis me observando e aquele sorriso angelical mais uma vez…
Acho que depois de 32 anos nessa profissão fazendo o que eu faço, sobrevivendo a duas guerras e vagando pelo mundo sozinho, os fantasmas começam a me assombrar.
Espero que esse pelo menos, venha me buscar logo…

Sobre políticos, partidos e corrupção.

Na minha adolescência, eu acreditava que as coisas seriam melhores se as pessoas falassem mais de política, ao invés de futebol ou o capítulo da novela da noite passada… Eu não sabia que as coisas poderiam se complicar tanto assim.

Porém, nos últimos anos, com as ideias de “vem pra rua”, “o gigante acordou”, depois dos sucessivos escândalos no governo e na Petrobrás, a “lavação de roupa suja entre governo e oposição”, parece ter feito as pessoas se interessarem mais por política. Ou não…

Essa minha incerteza, é pelo motivo de quê não há um embasamento nas críticas e nos ideias políticos de uma parte da população, quando se observa mais profundamente algumas conversas. Sem querer generalizar, apenas baseando-me no ambiente em que eu vivo. E, ainda que observasse um ambiente mais amplo, como o nosso país, por exemplo. Nós temos uma presidenta que está caminhando na linha tênue de um impeachment, um presidente da Câmara, que nega suas contas secretas na Suíça e corrupção, um governador do estado (SP), irresponsável com o problema hídrico do estado e que tornou sigilosos documentos sobre as obras do metrô. Nada disso parece fazer com que uma parcela maior da sociedade se interesse realmente pelo que acontece no dia a dia da política.

Porém, se eu me ater apenas na cidade em que vivo. Indaiatuba, cidade no interior do estado de São Paulo. Na segunda-feira, da semana passada (05 de Outubro), muitos brasileiros que ainda não a conheciam, ouviram falar dela pela notícia da apreensão de R$ 1,5 milhão feita pelo MP, na casa do prefeito, fora os R$400.000,00, no gabinete dele. Ele não foi o primeiro e nem será o último a se envolver nesse tipo de escândalo. E até agora, não se vê nenhuma punição que possa ser aplicada a ele. Um dos problemas nisso tudo é que nem o partido ao qual ele pertence (PMDB), se prontificou, ou irá se prontificar em puní-lo. Nem mesmo adverti-lo pelo envolvimento no escândalo. Como nem a população se chocou e nem saiu às ruas para cobrar alguma explicação sobre o ocorrido. Muito pelo contrário, houve muitos que defenderam o prefeito com a tão famosa conversa do rouba mas faz.

Eu tento entender o quê falta. Se mesmo com tantas irregularidades, negligencias, com as provas, o acesso ao conhecimento, as pessoas ainda se mantém relapsas aos assuntos que realmente importam e ao mesmo tempo conseguem reclamar e culpar o outro pela atual situação do país e do mundo.

Vivemos num país livre, mas poucos políticos e nenhum partido assume a proteção do voto não obrigatório. Temos políticos corruptos que praticamente se aposentam em seus cargos sem que sejam ao menos condenados por seus crimes fiscais. Alguns policiais são tão corruptos e perigosos quanto os bandidos que eles deveriam colocar na cadeia, sem contar o sistema carcerário que nem de longe é um exemplo de restauração social. Simplificando a questão, até que ponto é preciso que a sociedade sofra e seja humilhada até que comece a reagir?

Partindo do pressuposto de quê quem muda, muda também o ambiente em que vive e assim, ajuda a transformar a sociedade, aparentemente, a verdadeira mudança está longe de acontecer…

Vai ver – mesmo que eu não acredite nisso – é como um comentário que ouvi esses dias: “as pessoas estão mais dispostas a aceitar o fim do mundo e viver em um apocalipse zumbi, do quê em ter iniciativa e transformar o mundo num lugar melhor hoje”.

Ou talvez seja diferente, e as discussões começam bagunçadas e a medida que vão evoluindo junto com a educação das pessoas, as ideias e ideais também evoluam. E assim, os debates não sejam com informações falsas, com ofensas e violência, na base de quem grita mais é que tem razão. Mas sim, sabendo ouvir e respeitando as diferentes opiniões.

Dizia Blake: “oposição é amizade verdadeira”. Quem sabe assim, as coisas comecem a melhorar quando discutindo política, cultivar-mos mais amizades ao invés de desafetos.

 

 

 

O amor na era digital (e como manter o romantismo)

Todo mundo deve conhecer alguém (ou é esse alguém), que já começou um relacionamento online.Mas quantos realmente devem se tornar reais e duradouros tanto quanto um relacionamento mais convencional – assim por se dizer – entre pessoas da mesma cidade?
Muitas coisas tornaram-se mais fáceis desde o advento da internet. Uma delas, a aproximação de pessoas distantes e os relacionamentos amorosos para uma parte da população mais tímida e com dificuldades em se relacionar. Em tempos onde a conectividade é vista como uma obrigação, os contatos do seu perfil por mais distantes que estejam, são tão comuns quanto a vizinha da casa ao lado.
E as conversas, a qualquer hora do dia ou da noite, numa dessas redes sociais, conectando as pessoas com a maior facilidade que se conhece desde o início da raça humana. Também trouxe muitos perigos, vide os vários escândalos como ‘sex tapes’, e fotos íntimas ‘vazadas na rede”. Mas, nos voltando para a ideia desse post que é falar sobre o amor e os casais modernos que por algum motivo, acabam encontrando um(a) parceira(o) que vive em outra cidade, estado, ou até país…
A pouco mais de 30 anos, a forma convencional de se manter contato entre pessoas distantes e mais barata também, era o uso de cartas, que apesar dessa facilidade, é um meio de comunicação demorado, diga-se de passagem.

Algumas pessoas ainda mantém esse costume, hoje visto como ultrapassado por alguns e romântico por outros.
Prezamos hoje em dia pela praticidade, rapidez e agilidade, essa é a verdade. É claro, que há pessoas que se aproveitam sim, dessa situação para romper essa barreira e se envolvem com várias(os) parceiras(os). Mas, há também, pessoas que se apaixonam, se envolvem, são sinceras e acabam se entregando completamente a uma relação incerta e
por muitos vista como absurda, pois estão mais familiarizadas com a forma ‘mais comum’ de namoro.
Eu conheço alguns casos. Tenho amigos que se conheceram em uma sala de bate papo. O relacionamento que após um bom tempo era apenas de amizade, mudou para o status de namoro e um tempo depois, inevitavelmente tornou-se casamento. O simples detalhe é que ele é do Nordeste do Brasil e ela da distante Rússia.
Há também quem, após conhecer o seu interesse romântico, acabe se desiludindo com a realidade, até porquê, é no primeiro contato que se tem noção da realidade entre o ‘casal virtual’, as dificuldades causadas pela distância, o fator dinheiro, as inseguranças de se envolver com alguém distante, as diferenças reais entre o casal,
e a infeliz certeza que nem sempre terá ela(e) fisicamente presente quando você precisar. Engana-se quem acredita que as pessoas que se envolvem dessa maneira não sofrem, e se aventuram nessa situação por puro prazer e insensatez. Só quem já se sentiu sozinho num fim de semana, mesmo entre amigos e familiares, ou desejou compartilhar algum
momento com a pessoa que está distante sabe como é difícil essa escolha. E há os que estão nessa só para curtir e tirar proveito do maior número possível de parceiras(os).
É difícil sim, mas não menos apaixonante, excitante e adorável como todo relacionamento é. Ao contrário, com a distância, vem a vontade de aproximação e é aí que se faz útil a tecnologia. Telefonemas e mensagens durante o dia ou a noite, troca de mensagens, skype, whatsapp, recadinhos no perfil, troca de carícias que não podem ser feitas fisicamente naquele momento, são feitas com palavras ditas numa ligação, ou trocadas em mensagens ao longo do dia (faz-se aqui uma pausa para agradecer pelos planos mais baratos das companhias telefônicas, o quê também facilitou muito a aproximação entre as pessoas)… E quando chega o dia de matar as saudades, todo aquele desejo,
o amor acumulado ao longo dos dias ausentes, a paixão de sentir o toque, o calor da pessoa amada, ouvir o som da voz sem o intermédio de um telefone grudado na orelha, a maravilha de presenciar ao vivo um simples sorriso da pessoa amada. Ah, o amor…
Enfim, se você passa por isso, espero que seja muito feliz, porque amiga(o), sua vida não é fácil.
Mas seja forte em suas convicções, se você é feliz dessa forma e faz a outra pessoa feliz também, não se importe com o quê digam. Só se vive uma vez, então esforce-se em ser feliz e fazer o bem para os outros, assim, o bem virá para você.
Mas não deixe a relação cair na mesmice que qualquer outra à distância ou não, possa eventualmente cair.
Use a surpresa e tecnologia como já dito, como aliada. Mande mensagens, faça ligações, provoque mais com mensagens ou conversas mais picantes (fale de sexo). Seja presente, mesmo distante!
Se ainda não fez essas coisas, interesse-se mais pelo dia da sua amada(o) e deixe que seja perceptível isso com perguntas, chegue um pouco mais cedo e vá embora mais tarde quando forem se encontrar.
E o mais importante, AME!
Ame muito, com intensidade, companheirismo e cumplicidade, com muita pegada, safadeza e desejo. Que só assim, uma relação próxima ou distante pode durar até o ponto de vocês conseguirem encurtar a distância e viverem felizes para sempre, debaixo do mesmo teto. As experiências podem ser boas ou nem tão boas assim, mas serão suas e vão lhe influenciar de alguma forma, em algum grau pelo decorrer da sua vida.
Então, tendo alguém, perto ou distante, esforce-se para valorizar esse seu relacionamento, e que seja eterno enquanto dure.

Reencontros

Hoje, encontrei alguém que eu não via há muito tempo. Nossos olhares se cruzaram pouco tempo depois de eu ter subido naquele ônibus. Ela, eu conheci na adolescência, e mesmo após 15 anos, não mudou muito. Apesar de não me recordar de seu nome, eu sabia que era ela.

Não sei se era pelo horário e ela ainda estava sonolenta, ou só não me reconheceu mesmo, mas não tive uma resposta quando a cumprimentei. O ônibus estava cheio e estávamos distantes, mas mesmo que não estivéssemos eu provavelmente não teria me aproximado para puxar conversa. Além de todo o tempo que passou até esse momento, eu nunca fui uma pessoa boa em começar uma conversa e nem de me lembrar de nomes… Aparentemente, eu sou melhor com palavras escritas do que com as faladas, principalmente pelas manhãs, pior ainda numa segunda feira de manhã.

As lembranças duraram desde o ponto onde eu peguei o circular até onde descemos… Sim, descemos no mesmo ponto, uns 45 minutos depois. A coincidência é uma força curiosa…

Ao aproximarmo-nos de nosso ponto final, o ônibus já estava bem mais vazio e ambos estávamos sentados em lugares afastados um do outro. Ela se levantou e enquanto passava por mim, me olhou pelo canto dos olhos e sorriu. Sei disso, porque acompanhei ela, também de soslaio, até passar direto pela minha esquerda, não antes que eu pudesse perceber o seu sorriso, é claro.

Eu me levantei, e fiquei esperando atrás dela até que o ônibus parasse, então, descemos, ambos em silêncio.

Já fora do ônibus seguimos direções opostas, não havíamos nos distanciado muito um do outro, foi quando eu olhei para trás, na direção dela. Para minha surpresa, alegria e euforia (voltei a ser adolescente por um instante), ela também estava me acompanhando com os olhos. Então, ela sorriu e me olhando nos olhos, simplesmente disse “tchau!”

Olá, mundo!

Esta é a minha primeira publicação. O “Cartas lidas” é um blog irmão do “Sonhos de Nankin“, meu outro blog com ilustrações.

Além de desenhar, eu gosto de escrever. E como nunca coloquei em prática e nem expus esse lado, resolvi a partir de hoje, tentar algo novo e diferente.

Irei usar esse espaço para escrever sobre o que vier à cabeça nos próximos dias.

Não sei qual será a frequência, mas se você passou por aqui e gostou do que leu, ou não, mas quer conversar, debater e fazer uma amizade nova, me segue!

Ninguém agrada a todos, e nem é meu interesse. Não tenho grandes pretensões por aqui, além de escrever.

Esse espaço é livre e sem restrições, vamos ver o quê vai acontecer.

Então, sejam bem-vindos!