“O mal triunfa sempre… Que os bons não fazem nada.”

Essa máxima de Edmund Burke, veio-me a cabeça, porque recentemente, a casa onde morávamos foi assaltada.
Ao receber a ligação de minha mãe desesperada, dizendo que havia chegado em casa, encontrado a porta da cozinha arrombada, e além de toda a bagunça que fizeram, levaram vários de nossos pertences. A frustração e o sentimento de impotência diante do ocorrido deixa um vazio dentro de você, que eu só pude experimentar naquele momento.

Nos damos conta de quê o pouco conforto e segurança que temos é pura ilusão.

Felizmente, não houve nada grave, já que não havia ninguém na casa quando a invadiram, foram só os bens materiais nosso maior prejuízo.

Minha indignação, não é apenas com a situação do roubo em si, já tive tempo o suficiente para pensar sobre o assunto. Mas sim, com o quanto as pessoas são coniventes ou simplesmente ignoram alguns tipos de injustiça, ou corrupção que de alguma forma é, ou torna-se uma forma de crime.

Outro dia, por exemplo, eu caminhava pelo centro da cidade onde moro, e vi um senhor, que na pressa em estacionar, sem encontrar vaga fora da zona azul, usou uma vaga exclusiva para deficientes.

Infelizmente, nem só descaso. É falta de interesse, falta de empatia. Não nos preocupamos com o próximo quando não sentimos a mesma dor que ele sente. É tudo normal. Só dizemos: ‘É a vida!’

O quê dizer de pais que não tiveram preparo para educar seus filhos, e que com isso, incluem numa sociedade seletiva, indivíduos desprovidos de preparo, formação e oportunidades. Uma vez que nossos governantes não são capazes de incentivar o desenvolvimento humano e possibilitar a inclusão social dos jovens que mais necessitam de suporte para seu desenvolvimento intelectual e social.

As pessoas aprendem, não com conselhos, mas com exemplos. Não é culpar o bandido, apenas. O problema é  mais profundo. Não existe um mal absoluto. Apesar de algumas pessoas terem mais tendência aos vícios, ao crime e à corrupção, talvez algumas dessas mesmas, tivessem seguido um caminho diferente se tivessem bons exemplos, melhores condições e oportunidades. Talvez, eu esteja errado e o ser humano, seja corrupto por natureza. Aristóteles já se questionava sobre esses assuntos.

Mas o quê nós podemos esperar de uma sociedade que empodera corruptos, usa a mídia para alienar a população, e controla o povo ao lado de ‘intermediários divinos’ em nome de Deus?

Vivemos em uma época de intensas transformações, ideias antigas e novas se confrontam em todos setores. As revoluções da tecnologia e da informação estão a todo vapor e não sabemos lidar com isso. Quiçá, incluir os desfavorecidos em nosso meio.

Há tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Tanta informação, que é impossível prestarmos atenção em tudo. E então, deixamos passar algumas coisas. E é aí que erramos. Porque deixamos passar o mais importante. O próximo, o ser humano.

Deixamos de olhar para os lados há muito tempo. Paramos de prestar atenção nas únicas coisas que realmente deveriam importar.